fbpx
Qual parte do elefante você está vendo?
Em 8 de abril de 2019

Há uma antiga parábola indiana sobre seis cegos que nunca tinham visto um elefante na vida e precisavam descrever com o que esse animal poderia se parecer. Diante do elefante, eles se aproximaram juntos, tocaram o animal e deram suas opiniões: o que encostou na tromba disse que um elefante se parecia com uma cobra; o que encostou nas presas, que era como uma lança; o que encostou em uma das laterais, que era como um muro; o que apalpou a pata disse que se parecia com uma árvore; o que segurou uma das orelhas garantiu que o elefante era como um leque; e quem pegou a cauda podia dizer que um elefante era um animal muito semelhante a uma corda.

Nós nunca enxergamos as coisas por inteiro. O jainismo indiano chama isso de “os muitos lados da verdade” e a psicologia, de frames. Nós olhamos para o mundo em frames, ou seja, olhamos para o mundo através de uma janela, que é apenas um recorte do elefante. Julgamos que é o elefante inteiro, quando na verdade ele não é nada disso.

Por isso não é muito difícil entender por que pessoas divergem completamente sobre o mesmo fato em política, por exemplo. E por que em geral reuniões são tão improdutivas. O assunto do problema é o elefante, mas cada pessoa vê uma verdade própria sobre ele.

Se usar a seu favor, você consegue aproveitar essa teoria para fechar um negócio ou resolver um problema. É como naquele exercício de negociação em que você insiste em tentar vender as laranjas mas o que a pessoa do outro lado quer são as cascas. Isso explica por que profissionais e empresas ainda se consideram os melhores quando, de repente, se vêem engolidos por inovações que o frame deles os impedia de enxergar.

Como fugir da lógica dos frames? Sair do habitat pessoal e profissional, viajar, ouvir música, ler, como mostra o livro Desaprenda, do Cassio Grinberg, que a gente lança dia 15.04. Fique próximo e valorize aqueles que discordam de você. Eles te fazem crescer e enxergar a vida numa perspectiva mais ampla. Convide para almoçar ou tomar um café aquela pessoinha que você gosta muito e que discorda quase sempre de você. Ela vale ouro.

#segundadacriatividade #belasletras

 

Com o entusiasmo de sempre,

Gustavo Guertler

Não sou filósofo, não sou psicólogo, não sou coach também. Nem indiano, nem jainista. Sou CEO da Belas Letras, pai de uma menina de 10 anos e acho que já é muita coisa (só a parte de ser pai).

Mais notícias