Desculpe dizer a verdade
Em 15 de dezembro de 2016

Pra começar, preciso dizer que este é um texto polêmico, que pode causar um impacto muito grande na sua vida e na vida de qualquer criança que vai ler. Então, se você não quer ouvir a verdade, recomendo que não siga adiante.
Tenho uma filha de oito anos. E só agora, nos últimos meses, ela começou a fazer perguntas, digamos, científicas sobre o Papai Noel. Pai, como é que ele consegue entrar nos prédios sem a chave? “Ele tem cópia das chaves”. Como é que ele carrega tantos presentes com ele? “Ele tem ajudantes e divide as entregas em ruas”. Como é que ele faz para pegar as encomendas, se ele chega na loja para comprar e não tem mais? “Ele tem uma equipe que fabrica todos os presentes, iguaizinhos aos das lojas, filha”. E na escola agora tem uma discussão entre quem acredita que o Papai Noel existe e aqueles que têm certeza que ele não existe.
Minha filha, se você estiver lendo este texto, preciso dizer aqui a verdade, de uma vez por todas:
O Papai Noel existe, sim. E eu posso provar.
Ele estava lá quando você nasceu. Foi numa noite em que caiu uma tempestade, e ninguém esperava, porque você chegou muito antes do tempo previsto, muito mesmo, e a gente quase perdeu você. O Papai Noel estava espiando pela janela quando você saiu da barriga da sua mãe, sem chorar, deixando todo mundo preocupado. Ainda bem que ele estava lá. E, na festinha que a gente fez do seu primeiro mês, ao redor da incubadora, tenho certeza de que um dos presentes foi ele quem mandou.
A gente lembrou do Papai Noel, e de como ele tem que ser rápido com o trenó, no dia em que você caiu e se machucou. A gente levou você tão rápido que ele ia nos contratar se visse aquilo.
O Papai Noel estava lá sentado (sabia que às vezes ele se disfarça? Pois é) numa das últimas cadeiras do teatro da sua apresentação na escola, quando sua mãe chorou. E quando aquele seu peixinho doente precisou ir para o veterinário, mas acabou escolhendo ficar por lá porque a gente não tinha todos os equipamentos em casa para fazer ele melhorar (tomara que ele ainda esteja bem). E no dia em que sua tia, depois daquela cirurgia, virou uma estrelinha no céu, e deixou pra nós um presente, um primo que é como se fosse um irmão. O Papai Noel estava lá, eu tenho certeza disso. Porque ele existe, sim. Mas só pessoas especiais sabem disso.

É um pouquinho como os livros. Tem muita gente que acha que são só histórias que alguém inventou. Dá para acreditar nisso?
Em nome da equipe da Belas Letras, desejo um Feliz Natal para você.

Gustavo Guertler
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