Bate-papo com Tiago Mattos
Em 5 de maio de 2017

Esse post é todo especial! Trazemos para vocês, hoje, uma conversa exclusiva com o Tiago Mattos, sócio-fundador da Perestroika, sobre o livro Vai Lá e Faz, nosso lançamento de maio <3

 

Editora: O que um profissional precisa para ser bem sucedido no futuro?

Tiago: Acredito a grande maioria dos profissionais precisa passar por uma grande mudança de mindset. E essa mudança passa por sair de um modelo industrial (linear, segmentado, repetitivo e previsível) para um digital (não linear, conectado, multidisciplinar e exponencialmente imprevisível). Outra coisa que eu sugiro é um olhar mais atento às novas métricas de sucesso – que vão muito além de lucro, faturamento e ROI (retorno sobre investimento). Por fim, entender que empreendedorismo e auto-empoderamento não são uma opção – são o futuro do trabalho. Todos seremos empreendedores, freelancers, autônomos. Temos que aprender a “trabalhar COM”, e não somente “trabalhar PARA”.

 

Editora: Você cita exemplos no livro de como coisas que eram consideradas naturais no passado hoje são absurdas. Qual você acha que será uma das coisas que hoje consideramos normal mas que no futuro será absurda?

Tiago: Acredito que o formato clássico de empresa (uma sala num prédio comercial, sob um CNPJ, com pessoas operando todas no mesmo horário) será bastante estranho em menos de 20 anos. As “patentes empresariais” (CEO, VPs, gerentes) também vão se extinguir. O futuro do trabalho é com lideranças circunstanciais e rotativas. Grupos de trabalho aliados pelo mesmo propósito.

 

Editora: Em 2029, a inteligência artificial pode ultrapassar a humana segundo as previsões. Fazendo um exercício de imaginação mesmo, que área você acha que vai ser mais impactada?

Tiago: A resposta mais sincera é “todas”. Não acredito que nenhuma atividade intelectual criativa (eu parto do pressuposto que as manuais-mecânicas já foram transformadas) ficará incólume. Elas vão acabar? Não. Vão se transformar? Sim. Todas.

 

Editora: Recentemente, algumas gigantes da tecnologia se uniram para criar uma associação para evitar que no futuro sejamos dominados pelos robôs. A realidade pode superar a ficção um dia?

Tiago: Há um grande debate entre futuristas sobre quem é ovo e quem é galinha. É a ficção científica que nos mostra o caminho, que nos inspira – e nós seguimos? Ou nós iríamos parar lá de qualquer jeito (e o autor foi apenas um visionário)? Não há como saber. O que eu sei é que 99% das distopias apresentadas nas ficções científicas não acontecem. E quem diz isso nem sou eu – mas o Neil deGrasse Tyson, uma das mentes mais brilhantes do mundo. Então, toda vez que vejo uma obra de ficção científica em que a tecnologia escraviza os humanos, eu enxergo muito mais como uma “terapia em grupo” do que, de fato, como uma previsão.

 

Editora: Por que é importante fazer este exercício de pensar o futuro?

Tiago: Philip Zimbardo explica em Paradoxo do Tempo que podemos ser orientados ao passado, ao presente e ao futuro. E que existe um perfil ótimo, que junta um alto grau de “passado positivo” (pessoas que tiram aprendizados do que aconteceu, sem culpa), um bom grau de “presente hedonista” (viver o agora) e uma importante parcela de “futuro investidor” (para ser magro amanhã, preciso comer pouco hoje). É a soma dos três que nos coloca em equilíbrio. Portanto, o olhar para o futuro é uma ferramenta fundamental para que vivamos melhor o presente. Outra ideia interessante é que o presente é vivido a partir do futuro, como diz Thomas Frey. Se você soubesse que vai morrer amanhã, você mudaria o seu hoje? Portanto: construir esses cenários, e entender quais são plausíveis, possíveis e preferíveis, são uma ferramenta fundamental para viver bem no presente.

 

Editora: O que as empresas devem fazer para sobreviver nesse cenário?

Tiago: As empresas devem colocar alta prioridade no mindset digital. Aprendi com um amigo, chamado Oswaldo Oliveira, que existem quatro alternativas para as empresas. A primeira é colocar baixa prioridade no pensamento industrial. Neste caso, elas terão morte lenta. A segunda alternativa é ter alta prioridade no pensamento industrial. Aqui, é pior: elas terão morte rápida. O terceiro cenário diz: baixa prioridade no mindset digital. Empresas que fizerem isso vão operar no “modo de sobrevivência”. E a prosperidade vem quando tivermos alta prioridade no mindset digital. Preciso dizer mais?

 

Editora: Corremos o risco de ter relações muito menos humanas no futuro?

Tiago: Acho difícil. Hoje em dia, a tecnologia não nos tornou menos humanos. Nos tornou mais humanos. Pois, com a tecnologia, você consegue acessar pessoas que, antes, você poderia passar anos sem nenhum tipo de contato. Com um óculos de realidade virtual, você pode finalmente olhar o mundo pela perspectiva do outro – e empatizar, de verdade, com o outro. A questão não é a tecnologia, mas o uso que fazemos.

 

Editora: Que mundo você acredita que deixaremos para a próxima geração?

Tiago: Tenho bastante convicção de que deixaremos um mundo muito mais interessante. Os parâmetros de qualidade de vida (como alfabetização, mortalidade infantil, acesso à informação, expectativa de vida) só vêm aumentando ao longo dos anos. E muito em função da tecnologia. Claro que temos desafios (como o aquecimento global ou o gap entre mais ricos e pobres). Mas, na maioria dos casos, estamos evoluindo. Portanto, acredito que nunca houve uma época tão boa para se viver. Assim como acredito que o amanhã será ainda mais abundante e humano que somos hoje.

 

Editora: Obrigado, Tiago. Só mais uma: como você pode ter certeza de que eu não sou um robô?

Tiago:  E como você tem certeza que EU não sou um robô?

 

 

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