Ping-pong com Rita Lisauskas
Em 2 de maio de 2017

Para entrar no clima do dia das mães, trazemos para vocês uma entrevista bem divertida sobre maternidade com a Rita Lisauskas, autora do Mãe sem Manual. Confere o nosso bate-papo:

 

Editora: Tô grávida. E agora?
Rita: Você pode sair pulando de alegria ou sua cabeça pode encher de caraminholas e preocupações com o mundo que seu filho vai herdar ou com o futuro da sua carreira e do seu relacionamento – isso se você tiver um. Por isso é muito injusto quando cobram que a mulher esteja sempre feliz e radiante depois de descobrir que espera uma criança. Nem todas conseguem se sentir imediatamente à vontade nesse papel e por isso acreditam que há algo de errado. Não há e as mulheres precisam saber disso. Errado é um mundo que acha que a felicidade é o único sentimento que nos visita quando ficamos grávidas, o que é longe de ser verdade.

Editora: Grávida ouve muito palpite?
Rita: Muito! Digo no livro que quando a barriga da grávida finalmente desponta a temporada de palpites está oficialmente aberta! E eles vêm de todos os lados, quando você e sua barriga entram no elevador, vão ao supermercado, andam na rua. Até as almas mais insensíveis ficam tocadas quando percebem que um bebê está a caminho. Há quem pergunte o sexo do bebê, o nome, para quando o nascimento está previsto. Mas os sem-noção também se aproximam e querem interagir. Perguntam se a gravidez foi planejada (!), quem é o pai do bebê (!!) e até decidem opinar sobre coisas que não lhe dizem respeito como o nome do bebê e a via de parto.

Editora: Parto normal ou cesárea?
Rita: Essa é a pergunta que você vai ouvir durante toda a gravidez – gente que te conhece e que nunca te viu na vida vai perguntar e palpitar sobre seu parto. Fato é que o Brasil é o campeão mundial de partos cirúrgicos e se você escolher por uma cesárea, vai ter uma. Agora se quiser um parto normal vai ter de lutar muito por ele.

Editora: O que as mães de hoje precisam?
Rita: As mães de hoje, assim como as de antigamente, precisam de toda uma rede de apoio para dar conta de todas as demandas que chegam junto com o bebê. Existe um ditado africano que diz que “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança” e ele é muito verdadeiro. Precisamos de parcerias: com o pai do bebê, com a família, creche e vizinhos. Agora podemos encontrar ajuda nas redes sociais – que chegaram com tudo e vieram para somar. Existem grupos de mães interessantíssimos no Facebook onde gestantes e mães trocam muita informação além de oferecer conselhos, ombro e colo.

Editora: Existe alguma verdade absoluta sobre a maternidade?
Rita: Poucas, na verdade. Mas tem coisas que a mãe precisa aceitar, que dói menos. Os bebês não dormem como a gente gostaria e tudo bem, não há nada de errado com isso. Mesmo se você ouvir que “o filho da prima da vizinha” dorme a noite inteira desde que chegou da maternidade, saiba que as crianças acordam de madrugada porque têm fome, medo, ou simplesmente porque querem ficar perto dos pais, quem não ia querer um afago no meio da noite para voltar a dormir? Tudo passa muito rápido e você logo, logo, vai sentir saudade das noites insones. Mentira, não vai não!

Editora: O papel do pai mudou? Por quê?
Rita: Tem mudado, ufa, ainda bem! Embora a maioria dos homens não tenha sido criada para desempenhar plenamente seu papel de pai e de parceiro nas atividades domésticas, muitos têm se engajado em ambas as funções. Além de buscar uma convivência mais legal com a mulher, também querem construir uma relação com os filhos diferente da que tiveram com o próprio pai. Com isso perceberam que pai não “ajuda”. Pai cria junto.

Editora: O que você gostaria de ter sabido antes de ser mãe mas que só soube depois?
Rita: Queria que alguém tivesse me contado que amamentar não é fácil nem intuitivo – que não é só colocar o bebê no peito para a mágica acontecer. Assim eu teria procurado pediatras que apoiam o aleitamento materno e consultoras de amamentação antes do parto.

Editora: Vale a pena ser mãe nos dias de hoje?
Rita: Vale, claro! Vale a pena ser mãe sempre que a mulher quiser ser mãe. Ao contrário do que víamos antigamente, quando a maternidade era vista como uma obrigação da mulher, hoje se aceita a ideia de que é uma escolha, como tantas outras. Tenho amigas que não querem ser mães porque estão focadas em outros projetos e mulheres que sonham com a maternidade desde criança e colocam o nascimento de um filho como uma de suas prioridades. Ser mãe nunca pode ser algo imposto. Tem que ser um desejo, um chamamento.

 

Depois desse bate-papo bem legal, aproveitamos para fazer um convite: dia 06.05 acontece o evento de lançamento do Mãe sem manual, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo!

 

 

Conheça o Mãe Sem Manual

 

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